A tribo de Rúben

A história do primogênito de Jacó, Rúben, e de sua tribo dos rubenitas




Rúben foi o primeiro dos 12 filhos de Jacó, e é um personagem interessante pois sua história na Bíblia apresenta tanto virtudes notáveis quanto pecados graves que lhe custaram o direito de primogenitura.

Sua tribo, embora pudesse ter sido importante para Israel, se destacou apenas pela revolta de Datã e Abirão, no deserto; e no período dos juízes e da monarquia, manteve-se sempre à distância, do lado leste do Jordão.

Conheça a história do patriarca que foi “turbulento como as águas” e de seus descendentes rubenitas.

O patriarca Rúben

Rúben, em cena da novela da Record “José do Egito”

Rúben é o primogênito de Jacó e nasceu em Padã-Arã por volta de 1900 a.C. Sua mãe era Lia, justamente a esposa desprezada pelo pai. Quando engravidou, Lia creu que um filho faria com que Jacó a amasse mais. Por isso, deu o nome ao primeiro filho de Rúben, que literalmente significa “contemple um filho”, e disse:

“”O Senhor viu a minha infelicidade. Agora, certamente o meu marido me amará”.” (Gn 29.32)

Quando já era crescido, sem planejar, Rúben acabou participando indiretamente do nascimento do irmão Isaacar. Como um filho amoroso, ele levou mandrágoras para a mãe ao retornar da colheita do trigo. Raquel, a esposa amada de Jacó, desejou aquelas mandrágoras e, em troca delas, deixou que Lia se deitasse com o marido naquela noite. E dessa noite de amor, Lia acabou engravidando de Isaacar (Gn 30.14-18).

Rúben também teve um papel muito importante na história do seu meio-irmão José. Enquanto os outros irmãos planejavam assassiná-lo, foi Rúben quem esfriou o sangue dos irmãos, pedindo que eles apenas o jogassem em um poço. Seu plano era resgatá-lo quando eles não tivessem olhando (Gn 37.21-22). Acontece que a história não ocorreu como planejava e José acabou sendo vendido – e segue aquela história de José que conhecemos bem.

Muitos anos depois, quando os irmãos estavam passando por tribulações no Egito por causa de um trapaça de José, interpretaram que a causa daqueles problemas era consequência do que haviam feito ao irmão mais novo. Nessa ocasião, Rúben fez questão de lembrá-los de que tinha pedido para não maltratarem José (Gn 42.21-22).

Na segunda viagem que deveriam fazer ao Egito, José havia ordenado que não retornassem sem que levassem o irmão mais novo Benjamim. Acontece que Jacó não deixaria levá-lo, por isso, Rúben disse que deixaria os próprios filhos como garantia ao pai de que traria o irmão mais novo de volta (Gn 42.36-37).

Rúben e Bila, em cena da novela José do Egito, na Record

Essas foram algumas histórias que mostraram as qualidades de Rúben: ele cuidava da mãe, levando-lhe mandrágoras; ele protegeu José dos outros irmãos e ainda deu os próprios filhos como garantia pela proteção de Benjamim. Apesar de ser um dos poucos irmãos com essas qualidades, um terrível pecado manchou a história de Rúben.

Rúben envolveu-se demais com a cultura pagã à sua volta e aderiu a alguns costumes condenados pela Palavra de Deus. Ele tomou como esposa Bila, a concubina de seu pai Jacó (Gn 35.22). Esse terrível incesto de roubar o concubinato do pai era um costume pagão cananeu, e custou-lhe muito. Ele perdeu a bênção devida a um filho primogênito. Veja o que ele recebeu de seu pai:

“Rúben, você é meu primogênito, minha força, o primeiro sinal do meu vigor, superior em honra, superior em poder. Turbulento como as águas, já não será superior, porque você subiu à cama de seu pai, ao meu leito, e o desonrou” (Gn 48.3-4).

É por isso, aliás, que a tradição colocou como símbolo da bandeira dos rubenitas as ondas do mar, por causa da expressão “turbulento como as águas”.

Triste fim para um bom irmão, mas que não tinha o temor ao Senhor.

Os rubenitas

Quando Rúben entrou no Egito, trouxe consigo sua família contando quatro filhos homens: Enoque, Palu, Hesrom e Carmi (Gn 46.9), e estes tornaram-se clãs de famílias no Egito (Ex 6.14). 430 anos depois, os rubenitas saíram do Egito com 46.500 homens preparados para a guerra (Nm 1.20-21).

Na saída do Egito, Elizur foi o comandante tanto do exército rubenita, quanto do exército de Simeão e de Gade. Juntos eles formavam um exército de 151.450 homens (Nm 2.101-6). Mas quando Moisés enviou representantes das tribos para espiar a terra prometida, o líder de Rúben foi Samua (Nm 13.4).

Quando as tribos acampavam, elas eram organizadas de forma que o tabernáculo ficasse ao centro de todas as tribos, e cada uma delas possuía uma posição própria. A tribo de Rúben deveria ficar ao sul, junto das tribos de Simeão e de Gade (Nm 2.10-14).

Já quando marchavam, Rúben liderava a segunda divisão, liderando os gaditas e os simeonitas. Eles iam atrás apenas da divisão liderada pela tribo de Judá (Nm 10.17-18).

Morte de Corá, Datã e Abirão

Um episódio que mancha a história dos rubenitas no deserto ocorreu quando, aliados do levita Corá, dois importantes líderes da tribo, Datã e Abirão, levaram toda a tribo a uma rebelião contra Moisés. Nesse triste episódio, eles disseram coisas horríveis ao profeta, e questionaram a liderança dele. Talvez Datã e Abirão tivessem calculado que os rubenitas eram descendentes do primôgenito de Jacó e por isso seriam os legítimos líderes de todo o povo. Mas estavam errados, e a consequência foi desastrosa – eles foram engolidos pela terra (Nm 16.1-40).

Após um longo período pelo deserto, quando o povo estava para possuir a Terra Prometida, fizeram um novo censo, e desta vez a tribo de Rúben estava com um número menor de homens: 43.730 (Nm 26.7).

No período da conquista da Terra Prometida, Rúben aliou-se à tribo de Gade e à meia tribo de Manassés e pediram permissão para possuírem as terras ao leste do Jordão. Era uma região com abundantes pastagens e eles eram criadores de gado. A permissão foi concedida por Moisés, desde que dessem todo o apoio militar na margem oeste do rio às outras tribos até o fim da conquista (Nm 32.1-33). as tribos concordaram em ajudar as outras tribos na batalhas e de fato o fizeram, até o fim da conquista (Js 4.12-13).

Por isso, a tribo de Rúben recebeu as seguintes terras:

“Desde Aroer, na margem do ribeiro do Arnom, e desde a cidade situada no meio do vale desse ribeiro, e todo o planalto depois de Medeba, até Hesbom e todas as suas cidades no planalto, inclusive Dibom, Bamote-Baal, Bete-Baal-Meom, Jaza, Quedemote, Mefaate, Quiriataim, Sibma, Zerete-Saar, na encosta do vale, Bete-Peor, as encostas do Pisga, e Bete-Jesimote: todas as cidades do planalto e todo o domínio de Seom, rei dos amorreus, que governava em Hesbom (…) A fronteira da tribo de Rúben era a margem do Jordão. Essas cidades e os seus povoados foram a herança de Rúben, clã por clã.” (Js 13.16-23).

Portanto, os limites da terra de Rúben ficaram assim: ao oriente da terra dos amonitas, ao sul do rio Arnon, ao ocidente do Mar Morto e do Rio Jordão e a região norte vai do Jordão  até o sul de Hesbom.

Nesse local, reconstruiu as cidades Hesbom, Eleane, Quiriataim, Nebo, Baal-Meon e Sibma, mas mudaram os nomes das cidades (Nm 32.37-38).

A localização de Rúben, embora fosse uma região muito fértil, deixava-os com as fronteiras abertas para a invasão de inimigos, como moabitas e salteadores do deserto.

Finalmente, quando acabaram as batalhas de conquista, e os rubenitas, os gaditas e meia tribo de Manassés retornaram para suas terras a leste do Jordão, movidos por um zelo religioso, para que o povo não se esquecesse de Deus por estarem muito distantes das outras tribos, eles ergueram um imponente altar em Gelilote, junto ao Jordão. Acontece que isso ocasionou um grande mal entendido. As outras tribos a oeste pensaram que aquele fosse um altar pagão, e por isso se prepararam para a guerra contra as tribos do leste, por terem se desviado do Deus de Israel. Por causa dessa mal entendido, Israel quase entrou em guerra civil logo após a conquista. Mas tudo foi esclarecido, e as tribos mantiveram paz por aquele momento (Js 22).

No período dos juízes, aparentemente os rubenitas não tomaram parte nas guerras, e receberam uma risível reprimenda em uma canção de Débora:

“Nas divisões de Rúben houve muita inquietação. Por que vocês permaneceram entre as fogueiras a ouvir o balido dos rebanhos? Nas divisões de Rúben houve muita indecisão.” (Jz 5.15-16).

Exceto, porém, da vingança das tribos de Israel contra a tribo de Benjamin, pelo ultraje à esposa de um levita. Parece que neste caso Rúben enviou seus representantes (Jz 21.5).

No período da monarquia em Israel, os rubenitas entraram em guerra contra os hagarenos e conquistaram suas terras, junto das tribos de Gade e da meia tribo de Manassés (1Cr 5.10;18-22). Também no período da monarquia, serviram no exército de Davi (1Cr 11.42; 12.37; e tiveram supervisão do rei Davi nas tribos da região (1Cr 26.32; 27.16).

Após a divisão do reino, tiveram seu domínio reduzido no período do rei Jeú (2Rs 10.32-33).  E depois, finalmente, foi levada pela Assíria, para o exílio, de onde nunca mais se ouviu falar da tribo (1Cr 5.6;26). Depois disso, só ouviremos falar dos rubenitas relacionados à Israel futura idealizada do Reino de Deus, com a promessa de que tomarão parte na herança (Ez 48.6,7; Ap 7.5).

Essa foi a história do primogênito de Jacó, Rúben, e de seus descendentes rubenitas. Gostou da história? Então compartilhe com seus colegas de classe da Escola Bíblica!

Consulta:

Manual Bíblico Unger – Vida Nova
Dicionário ilustrado da Bíblia – Vida Nova
Novo Dicionário da Bíblia – Davis – Hagnos
Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã

Infocard

2 thoughts on “A tribo de Rúben

Comente o que achou!