A batalha dos 300 de Gideão

Confira a incrível batalha contra os midianitas enfrentada por Gideão e seus 300 soldados israelitas!

Num período de grande confusão em Israel, Gideão, um simples agricultor medroso, é chamado por Deus para libertar o seu povo de uma temível ameaça.

No processo de seu chamado, Deus trabalha em sua vida, transformando sua incredulidade em grande coragem. Então, Gideão lidera Israel em uma extraordinária vitória, se torna o maior de todos os juízes, e ganha seu nome na prestigiosa galeria de heróis da fé!

Confira conosco a incrível batalha vencida pelos trezentos corajosos soldados de Gideão contra os parasitas midianitas!

Os midianitas e seus camelos – Jz.6.1-8

Por volta do ano 1160 a.C, uma nação parasita começou a assediar Israel. Esse domínio foi fruto de mais uma período em que os hebreus se afastaram de Deus.

Os midianitas eram um povo “primo” de Israel, pois também eram descendentes de Abraão. Midiã foi um dos filhos que o patriarca teve com sua esposa Quetura, já no final de sua vida.

Eles eram um povo nômade, e viviam no deserto. Como não plantavam, o modo de sobrevivência era a invasão das terras produtivas e a vandalização das nações. Foi isso o que fizeram a Israel:

“Sempre que os israelitas faziam as suas plantações, os midianitas, os amalequitas e outros povos da região a leste deles as invadiam. Acampavam na terra e destruíam as plantações ao longo de todo o caminho, até Gaza, e não deixavam nada vivo em Israel, nem ovelhas nem gado nem jumentos” Jz.6.3-4.

Baixo relevo em um palácio no norte de Nínive, com os assírios montados em camelos nas guerras, séculos depois dos midianitas

Um fato novo importante ajudou os inimigos do povo de Deus nesse tempo. Eles portavam uma novíssima e valiosa arma de guerra, que até então ainda não tinha sido usada. Eles tinham… camelos!

Antes deste período, não se tem registro arqueológico do uso de camelos em batalhas. Não era comum a domesticação dos camelos até então. Mas os midianitas, que eram excelentes arqueiros, montavam em seus camelos e, atirando suas flechas, chegavam tocando o terror nas aldeias e cidades por onde passavam. Isso deu-lhes uma grande vantagem bélica.

O fator camelo foi muito importante. Eles eram rápidos. Eles sobreviviam muito bem no deserto. O camelo era perfeito para a guerra!

O novo instrumento de guerra assustou o povo de modo a não fazer resistência.

Depois que os midianitas arrasavam as cidades, tomando tudo para si, eles voltavam para o deserto. Até retornarem nos próximos anos… Eram, literalmente, como um enxame de gafanhotos

“Eles subiam trazendo os seus animais e suas tendas, e vinham como enxames de gafanhotos; era impossível contar os homens e os seus camelos. Invadiam a terra para devastá-la” Jz.6.5.

Esse período de espoliação durou longos sete anos, deixando Israel numa situação calamitosa: “por isso os israelitas fizeram para si esconderijos nas montanhas, nas cavernas e nas fortalezas” (Jz.6.3) e ficaram muito pobres: “Por causa de Midiã, Israel empobreceu tanto que os israelitas clamaram por socorro ao Senhor” – Jz.6.6.

Quem poderá ajudar Israel?

No oitavo ano de opressão, os midianitas subiriam novamente para o ataque, mas seriam vigorosamente surpreendidos…

Gideão toca a trombeta – Jz.6.33-36

Como dissemos, no oitavo ano da dominação “todos os midianitas, amalequitas e outros povos que vinham do leste uniram os seus exércitos, atravessaram o Jordão e acamparam no vale de Jezreel” – Jz.6.33.

“Como assim enfrentar os midianitas?”

O vale de Jezreel era a principal via de comunicação entre o oeste e o leste, pois ligava a planície costeira de Canaã ao Vale do Jordão. Por isso, os territórios atingidos eram apenas os de Manassés, Aser, Efraim e Naftali.

Neste tempo, um agricultor de Manassés, da família de Abiezer, filho de Joás, chamado Gideão, também conhecido como Jerubaal, estava sendo lapidado por Deus.

Ele havia perdido seus irmãos, que foram covardemente mortos em Tabor, pelos reis de Midiã Zeba e Zalmuna (Jz.8.19). No início de sua história, Gideão aparece malhando o trigo numa tanque de prensar uvas, o que demonstrava duas coisas. Primeiro, que estava empobrecido, já que seu trigo cabia em uma prensa de uvas. Segundo, que por causa do medo dos midianitas, ele se sujeitou a péssimas condições de trabalho, já que a forma certa de se malhar o trigo é em campo aberto, para que o vento separe a palha.

Por isso, quando o Anjo do Senhor apareceu a ele, o filho de Joás só podia reclamar:

“Ah, Senhor! Se o Senhor está conosco, por que aconteceu tudo isso? Onde estão todas as suas maravilhas que os nossos pais nos contam quando dizem: ‘Não foi o Senhor que nos tirou do Egito? ’ Mas agora o Senhor nos abandonou e nos entregou nas mãos de Midiã” – Jz.6.13.

“Gideão toca a trombeta” – The Brick Testament

Mas Deus apertou o poderoso guerreiro: “Com a força que você tem, vá libertar Israel das mãos de Midiã. Não sou eu quem o está enviando?”- Jz.6.14. Mesmo assim, Gideão demonstrou ser um homem medroso (Jz.6.23, 27).

No entanto, depois que Deus trabalhou no coração de guerreiro, ele foi tomado pelo Espírito Santo quando ficou sabendo da aproximação dos inimigo.

Uma trombeta empoeirada voltou a tocar em Israel após anos de opressão. Os homens de Manassés acordaram ouvindo algum homem corajoso, guiado pelo Espírito Santo, que estava pronto para liderá-los para a libertação do povo de Israel. A trombeta, esse instrumento tanto de adoração como de guerra, era feito de chifre de carneiros e, naquele dia, despertou a coragem dos homens de Manassés, chamando-os às armas.

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Gideão enviou também mensageiros às tribos de Aser, Zebulom e Naftali. Não enviou nenhum chamado a Efraim, provavelmente por sentir-se indigno de convocar uma tribo tão poderosa. Isso vai trazer problemas para ele, mais para frente.

Enfim, trinta e dois mil homens responderam à convocação de Gideão, pronto para a guerra.

 Os testes de Gideão – Jz.6.36-40; 7.1-14

Antes de levar os homens à guerra, Gideão ainda titubeou um pouco, e precisava ter certeza de que Deus estaria com ele nas batalhas. Por isso, pede o seguinte sinal a Deus:

“Colocarei uma porção de lã na eira. Se o orvalho molhar apenas a lã e todo o chão estiver seco, saberei que tu libertarás Israel por meu intermédio, como prometeste” – Jz.6.37.

O primeiro teste: o da lã molhada. No outro dia, Gideão foi conferir o teste de Deus, e encheu uma tigela com a água do orvalho da lã.

Já o temeroso Gideão ainda tinha dúvidas, e propõe um segundo teste. O teste da lã seca:

“Não se acenda a tua ira contra mim. Deixa-me fazer só mais um pedido. Permite-me fazer mais um teste com a lã. Desta vez faze ficar seca a lã e o chão coberto de orvalho” – Jz.6.39.

“O teste da lã seca de Gideão” The Brick Testament

Só então Gideão creu que Deus iria com ele para a batalha. Mas isso não queria dizer que ele já estava pronto. Não. Ainda não. Agora era Deus que iria testá-lo.

Gideão liderou o exército até a fonte de Harode, que fica no pé do monte Gilboa, a 8 quilômetros de onde estavam os midianitas, aos pés do monte Moré.

Foi na fonte de Harode que Deus testou Gideão.

Primeiro, Deus pediu que Gideão despedisse de seu exército os medrosos, cumprindo assim o que dizia a lei de Deus, em Dt.20.8. Assim Gideão o fez. Pediu que todos os que estivessem com medo voltassem para casa.

Imagina o desapontamento de Gideão. Vinte e dois mil homens medrosos voltaram para suas casas. Restaram apenas dois mil!

“Cadê todo mundo?”

Mas Deus ainda não estava satisfeito, e fez o teste do bebedouro de água. Pediu que levasse os homens à uma beira de rio e que separasse para a guerra apenas aqueles que bebessem como um cachorro. Você leu direito: como um cachorro: “Separe os que beberem a água lambendo-a como faz o cachorro, daqueles que se ajoelharem para beber”- Jz.7.5.

Pode ser que essa escolha de Deus fosse claramente aleatória, apenas para mostrar a Gideão que Ele poderia vencer a batalha com poucos. Mas há uma segunda sugestão. É possível que Deus estivesse tirando da batalha aqueles que não eram vigilantes. A ideia é que, quando você está em uma batalha, você deve estar pronto para a batalha. Ajoelhar-se para beber água deixa você muito vulnerável.

Se essa teoria estiver certa, Deus tirou do exército de Gideão os medrosos e os dispersos. Somente os corajosos e os vigilantes ficaram. Somente trezentos homens ficaram. TRE-ZEN-TOS! Mas eram os melhores trezentos: os corajosos e os vigilantes!

“O Senhor disse a Gideão: “Com os trezentos homens que lamberam a água livrarei vocês e entregarei os midianitas nas suas mãos. Mande para casa todos os outros homens” – Jz.7.7.

O serviço estava feito. Deus havia tirado toda autoconfiança de Gideão. Ele tirou o orgulho do guerreiro, para que ele não pensasse que foi o numero de guerreiros que venceu as batalhas.

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Agora, Deus vai colocar coragem em Gideão, dando para ele um último sinal de que Ele daria vitória ao guerreiro:

“Se você está com medo de atacá-los, desça ao acampamento com o seu servo Pura e ouça o que estiverem dizendo. Depois disso você terá coragem para atacar” – Jz.7.10-11.

Gideão estava com medo. Por isso, pegou seu escudeiro Pura e desceu escondido até o acampamento inimigo. Então ele viu o tamanho da encrenca:

“Eram numerosos como nuvens de gafanhotos. Assim como não se pode contar a areia da praia, também não se podia contar os seus camelos” – Jz.7.12.

Lá estavam todos. Uma multidão incontável. E lá estavam os camelos… contra os seus trezentos soldados…

Quando Gideão e o seu servo chegaram bem próximo, provavelmente de uma tenda real, ele ouviu uma notícia que despertou nele toda a sua coragem. Um midianita importante havia tido um sonho, que era assim:

“Um pão de cevada vinha rolando dentro do acampamento midianita, e atingiu a tenda com tanta força que ela tombou e se desmontou” – Jz.7.13

O pão de cevada representava os israelitas, que eram agricultores e a tenda representava os midianitas, que eram nômades e habitavam em tendas. Não somente Gideão entendeu o sonho como os midianitas também entenderam e estavam apavorados. Era o momento de atacar!

A tática de terror de Gideão – Jz.7.15-23

“A tática de Gideão” The Brick Testament

Imediatamente, aproveitando que os midianitas estavam apreensivos com o sonho premonitório, Gideão convocou seu exército de trezentos homens com a seguinte tática:

Cada homem segurava uma tocha acesa com uma jarra para impedir que a tocha se apagasse e uma trombeta. Gideão os dividiu em três companhias.

Chegaram ao acampamento inimigo na calada da noite, no período oportuno da troca do turno da guarda dos midianitas. As três companhias cercaram o acampamento.

De repente, o silêncio da noite foi quebrado por um terrível barulho! Os midianitas foram acordados com trezentas trombetas soando no escuro, e um exército impossível de contar que gritava:

À espada, pelo Senhor e por Gideão!” – Jz.7.20.

Além das trombetas aterrorizantes soando, e dos gritos de guerra que ninguém via de onde vinham, ouviram também o som de jarros se quebrando e as tochas iluminadas, provavelmente arremessadas e causando incêndio nas tendas, trouxe o terror para os midianitas.

Diz o texto bíblico que Deus causou confusão nas mentes dos midianitas de tal modo que eles começaram a lutar uns contra os outros:

“Quando as trezentas trombetas soaram, o Senhor fez que em todo o acampamento os homens se voltassem uns contra os outros com as suas espadas. Mas muitos fugiram para Bete-Sita, na direção de Zererá, até a fronteira de Abel-Meolá, perto de Tabate” – Jz.7.22

Até este ponto, Gideão e seus trezentos ainda não tinham tocado em um único inimigo, e os midianitas já corriam amedrontados.

Então, Deus ainda estava preparando outro trunfo para surpreender Gideão.

“GIdeão e os trezentos”, por Gustave Doré

Aqueles soldados amedrontados, e os dispersos, que haviam sido mandados embora da batalhas. Eles certamente, junto das tribos de Israel, estavam atentos ao que acontecia junto ao exército inimigo. Quando a notícia correu de que os midianitas estavam fugindo de Gideão, aqueles soldados tomaram posição novamente e começaram a perseguir os inimigos pelo deserto.

Confusão com os compatriotas – Jz.7.24-25; 8.1-9

O exército de Gideão estava pondo fim à uma opressão de sete anos que causara a pobreza de Israel. Ainda assim, no calor da batalha, Gideão teve de enfrentar dificuldades com os seus próprios compatriotas.

“Efraim e as cabeças de Orebe e Zeebe” – The Brick Testament

Como os midianitas foram dispersos em vários áreas, Gideão finalmente convocou os efraimitas, para que impedissem os inimigos de atravessarem o Jordão.

O exército de Efraim teve sua vitória e derrotaram os midianitas, levando para Gideão a cabeça de dois príncipes, Orebe (que significa “corvo”) e Zeebe (que significa “lobo”).

Acontece que o exército de Efraim tinha uma mágoa guardada por Gideão, e foram reclamar ao guerreiro por que eles não tinham sido convocados antes. Efraim estava com ciúmes de Gideão e, talvez, estivessem reclamando o despojo da batalha também.

Mas o líder dos trezentos dá uma lição de modéstia. Ele respondeu aos irmãos:

“Que é que eu fiz, em comparação com vocês? O resto das uvas de Efraim não são melhores do que toda a colheita de Abiezer? Deus entregou os líderes midianitas Orebe e Zeebe nas mãos de vocês. O que pude fazer não se compara com o que vocês fizeram?” – Jz.8.2-3

Assim, afagando o ego machucado de Efraim, a tribo manteve a paz e retornou para casa.

Mas o problemas ainda não tinham acabado…

Junto dos seus trezentos soldados, Gideão continuou a incessante perseguição aos inimigos, chegando a atravessar o Jordão.

“À espada, pelo Senhor e por Gideão!”

Certamente eles não haviam se preparado para a perseguição. Por isso, o exército não tinha provisão, e estava sem forças para continuar. Então, foi buscar auxílio em Sucote, já a quase 80 quilômetros do campo de batalha original.

No entanto, diferente do que esperava, não encontrou boa recepção. Os moradores de Sucote, que provavelmente eram da tribo de Gade, governada por setenta anciãos, não deram crédito a Gideão, e mostraram-se aliados de Midiã, e por isso, não atenderam ao pedido do guerreiro.

Gideão, irritado, prometeu vingar-se da afronta.

Na sequência, foi pedir auxílio em Peniel, e a resposta foi a mesma!

A vingança de Gideão – Jz.8.10-21

“Emboscada de Gideão”, por Gustave Doré

Definitivamente, Gideão já não era mais aquele agricultor amedrontado de alguns dias atrás.

Tomado pelo Espírito Santo, com apenas seus 300, Gideão perseguiu os reis Zeba e Zalmuna, e seus 15 mil soldados restantes até Carcor, a leste do Mar Morto.

Ele seguiu pela caminho dos nômades, que era o caminho tomado pelas caravanas de beduínos do deserto.

Mais uma vez, para vencer seus inimigos, precisou de outro ataque surpresa. E Gideão saiu vitorioso.

Após capturar os reis Zeba e Zalmuna, levou-os como prisioneiros de volta com um plano em mente. Seguindo pela subida de Heres, capturou um jovem de Sucote e o fez delatar o nome de todos os setenta anciãos da cidade.

A sua vingança rota de vingança estava começando:

“Gideão prendeu os líderes da cidade de Sucote, castigando-os com espinhos e espinheiros do deserto; derrubou a fortaleza de Peniel e matou os homens daquela cidade” – Jz.8.16-17.

Primeiro, vingou-se dos próprios compatriotas de Gade, que haviam sido aliados de Midiã e não auxiliou os seus soldados durante a batalha. Mostrou a eles os eis derrotados, e depois os destruiu.

No entanto, a principal vingança de Gideão ainda está para ser completada.

Provavelmente chegando em sua casa, na região da Árvore de Ofra, questionou os dois reis:

“Então perguntou a Zeba e a Zalmuna: “Como eram os homens que vocês mataram em Tabor? ” “Eram como você”, responderam, “cada um tinha o porte de um príncipe”. Gideão prosseguiu: “Aqueles homens eram meus irmãos, filhos de minha própria mãe. Juro pelo nome do Senhor que, se vocês tivessem poupado a vida deles, eu não mataria vocês” Jz.8.18-19.

Somente agora, no final da batalha, a narrativa nos apresenta o que estava passando pelo coração de Gideão enquanto perseguia os reis midianitas. Ele havia visto os próprios reis matando covardemente seus irmãos, em Tabor.

Aquilo havia ficado em sua memória. Ele tinha sido humilhado. Agora, no entanto, ele deveria vingar seus irmãos, como dizia a lei de Deus em Nm.34.18-19. Deus havia lhe permitido ser o vingador do sangue de seus irmãos.

Mas Gideão tentou humilhá-los ainda mais, dando a seu filho mais velho Jéter o direito de matá-los.

Mas o medo havia passado de pai para filho, e o filho se negou a fazê-lo.

Diante disso, Gideão matou os reis midianitas, e concluiu sua vingança.

Finalmente

Essa foi a batalha em que Gideão livrou Israel da opressão dos midianitas, junto de apenas 300 soldados.

Nela, Deus trabalhou com um homem amedrontado, constantemente duvidando e testando a Deus. Mesmo assim, Deus o usou e o transformou em um homem corajoso, através de quem realizou muitos prodígios.

Deus usou o que Gideão tinha. Ele se dispôs e libertou Israel.

Infocard

One thought on “A batalha dos 300 de Gideão

  1. Gideão foi instrumento de Deus na batalha contra os midianitas, mas realmente era muito medroso. O teste da lá é muito engracado!

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