A estrela de Belém

Quando Jesus nasceu, uma estrela brilhou no Oriente e conduziu os magos até uma jornada entre Jerusalém e Belém. Que misterioso astro celeste é esse que brilha e se move como um guia?




A história do nascimento de Jesus contada no evangelho de Mateus, envolvendo uma estrela que guia os magos do Oriente até exatamente o lugar em que Jesus nasceu, é uma das mais misteriosas histórias da Bíblia.

Quem são esses magos vindos do Oriente nós já tratamos aqui >> http://bit.ly/2hT4EOW

Agora, é hora de conhecermos um pouco mais do que a Bíblia fala sobre essa misteriosa estrela de Belém, e mostrar pra vocês 3 teorias mais conhecidas sobre a identidade dela.

Vamos lá?

A estrela de Belém na Bíblia

A história dos magos do Oriente e da estrela de Belém está descrita em Mateus 2.1-12. A estrela é citada quatro vezes neste trecho, nos v.2, 7, 9 e 10. Nas quatro vezes, a palavra que a descreve tem como raiz a palavra grega / ἀστήρ, έρος, ὁ/ (Strong, 792), que se traduz como estrela, ou como qualquer corpo celeste, exceto o sol e a lua.

Na primeira vez que a palavra aparece, os magos do Oriente estão em Jerusalém perguntando sobre o “recém-nascido rei dos judeus”. A explicação para aquela comitiva de astrólogos estrangeiros estarem na cidade é esta:

“Vimos a sua estrela [ἀστέρα ] no Oriente e viemos adorá-lo” (v.2).

Os magos explicam que haviam identificado uma estrela que representaria o nascimento do rei dos judeus.

“Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”

Embora aquele período fosse marcado por grande messianismo e embora fosse muito comum fenômenos astronômicos representarem um presságio de algo relevante nacionalmente, a explicação para que os magos buscassem por um messias entre os judeus a partir de uma estrela é um mistério à parte.

É possível que esses magos tenham sido de uma linhagem de magos que interpretavam as profecias de Daniel, como aqueles de Daniel 5.11, que deveriam acompanhar profecias como a de Daniel 9.25.

Agora, por qual fonte esses magos teriam relacionado o nascimento do messias a uma estrela? Seria por alguma profecia da Bíblia? Na Bíblia, a profecia mais próxima é aquela do misterioso oráculo de Balaão, em Número 24.17:

“Eu o vejo, mas não agora; eu o avisto, mas não de perto. Uma estrela surgirá de Jacó; um cetro se levantará de Israel. Ele esmagará as frontes de Moabe e o crânio de todos os descendentes de Sete”

Já alguns estudiosos também conseguem ver alguma relação da estrela de Belém com uma profecia de Isaías 60.1-5.

No entanto, tanto a profecia de Balaão, quanto a de Isaías, parecem estar relacionando a estrela ao próprio messias, e não a um astro celeste em seu nascimento. Além do mais, espera-se que o evangelista Mateus tivesse citado a profecia, como ele costuma fazer em seu evangelho. Mas o único texto do Antigo Testamento que é trazido pelos mestres da lei nessa história é aquele de Miqueias 5.2 que nada fala sobre uma estrela.

Por isso, parece que a relação da estrela com o nascimento do messias não estava relacionada a uma profecia do Antigo Testamento, e sim a alguma conjectura dos próprios magos a partir da observação do fenômeno celeste.

O que parece ter ocorrido é que esse magos observaram o estranho fenômeno e, de algum modo, o interpretaram como um presságio do nascimento de um rei dos judeus. Então, partiram para o local mais provável do seu nascimento.

Após terem causado uma confusão em Jerusalém e terem perturbado o rei Herodes, os magos são informados que as profecias apontavam para Belém como o local do nascimento do messias. Antes de deixar que os magos partissem, diz o versículo 7 que Herodes

“informou-se com eles a respeito do tempo exato em que a estrela [ἀστέρος] tinha aparecido”

O rei Herodes ficou muito preocupado com aqueles presságios e precaveu-se de uma possível fuga dos magos, caso não voltassem. Suas preocupações vieram a se confirmar, já que os anjos informam os magos da má intenção do rei Herodes, e fogem. Por isso, como relata o versículo 16,

“Quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos”

Essa informação é importante porque nos mostra que, entre o aparecimento da estrela, a chegada dos magos em Jerusalém, o nascimento de Jesus, o encontro dos magos com Maria e José, até o descobrimento da fuga dos magos por Herodes, passaram-se mais ou menos 2 anos. Deste modo, podemos concluir que os magos chegaram meses ou até um ano depois do nascimento de Jesus.

Na sequência dos versículos, os magos viajam para Belém levados pela informação dada pelos mestres da lei, mas no caminho tiveram uma surpresa:

“a estrela [ἀστὴρ] que tinham visto no Oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino. Quando tornaram a ver a estrela [ἀστέρα], encheram-se de júbilo” (v.9-10).

Essa é uma segunda aparição da estrela, e é nesse momento que a estrela toma características ainda mais interessantes.

Quando os magos tomam a estrada para Belém, eles vêem novamente a estrela, aquela que eles tinham visto no Oriente. Ela aparece novamente para eles. E eles ficam alegres. Agora, já não são mais encaminhados pela informação da profecia de Miquéias, mas a própria estrela os guiaria.

Agora, leia novamente o trecho do versículo: a estrela “foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino”. Segundo esse trecho, parece que a estrela se movia! Ela guiou os magos até a casa de José e Maria em Belém!

A estrela de Belém não foi apenas uma estrela que brilhou anunciando, na linguagem astrológica, o nascimento do rei dos judeus – ela também guiou os magos até o lugar exato!

Que estrela misteriosa era essa? Confira conosco três teorias sobre o que teria sido essa misteriosa estrela de Belém!

 

1) A estrela de Belém foi um cometa

Entre outras funções, um mago também era um astrólogo cuja função era observar os céus e interpretar os seus sinais. Cria-se na época que os sinais que ocorriam nos céus prediziam eventos importantes ocorridos na terra.

Os magos do Oriente viram um fenômeno astronômico e conjecturaram tratar-se do nascimento de um rei de paz na Judeia. Mas essa não era uma interpretação isolada.

Por exemplo, o mais famoso cometa da antiguidade, o conhecido Cometa de César, foi visto por 7 dias nos céus no ano 44 a.C, e por isso foi interpretado como um anúncio da deificação de Júlio César. Além deste, segundo o historiador romano Suetônio, uma estrela teria anunciado o nascimento de César Augusto, o imperador romano contemporâneo do nascimento de Jesus.

Assim, era comum que eventos astronômicos fossem interpretados como um sinal de algum acontecimento importante na terra. Soma-se a isso a influência do messianismo judaico corrente na Babilônia, como entre os discípulos do profeta Daniel.

Daí que alguns cientistas e estudiosos especulam que a estrela vista pelos magos foi na verdade um fenômeno celeste natural que foi interpretado como um presságio. Dentre os fenômenos recorrentes nos céus, um cometa seria o mais fácil de se encaixar na narrativa de Mateus, devido ao seu movimento.

No período do nascimento de Jesus, tanto os chineses quanto os babilônicos faziam registros diários das observações celestes e muito dos documentos dessa época chegaram até nós.

Num dos documentos chineses, registra-se  um corpo celeste exposto nos céus por 70 dias, por volta do ano 5 a.C. A data do aparecimento deste corpo estaria entre o dia 5 de março e 10 de abril. Curioso é o modo como ele foi descrito, como um astro “pairando sobre cidades”, de modo semelhante ao que foi registrado no evangelho.

2) A estrela de Belém foi uma conjunção planetária

Como já dissemos acima, tanto os chineses quanto os babilônicos mantinham registros dos fenômenos celestes no período do nascimento de Jesus. São os tabletes astronômicos da Babilônia que apresentam um candidato bastante popular para ser a estrela de Belém. No ano 7 a.C, ele registra a conjunção de Júpiter e Saturno com a constelação de Peixes, e depois Júpiter, Saturno e Marte em Peixes.

O astrônomo Johannes Kepler interessou-se em encontrar a estrela de Belém

O astrônomo e matemático alemão Johannes Kepler foi quem descreveu o movimento dos planetas, no século XVI, utilizados até hoje pela Nasa e pelos demais cientistas. Ele também lançou um interesse especial pela estrela de Belém.

Com base em sua observação dos planetas Júpiter e Saturno, deduziu que a estrela de Belém fosse uma conjunção de ambos os planetas. Com base em suas próprias leis, calculou o movimento desses planetas regredindo até os anos 5-7 a.C, considerando que Herodes teria morrido no ano 4 a.C.

Com base nisso, encontrou três conjunções de Júpiter e Saturno na constelação de Peixes, todas no ano 7 a.C: uma em 27 de maio, outra em 05 de outubro e a terceira em 1 de dezembro. A conjunção desses planetas, vista da Terra, teria um brilho incomum nos céus.

O arqueólogo e estudioso da Assíria Simo Parpola concorda com essa teoria de Kepler e completa dizendo que, segundo o sistema astrológico babilônico, Júpiter estava associado ao deus supremo, e também associado ao nascimento de reis. Já a constelação de Peixes estava associada ao  povo judeu. Assim, tendo visto esse fenômeno, facilmente os magos teriam associado ao nascimento de alguém importante na Judeia.

3) A estrela de Belém foi um fenômeno puramente milagroso

Uma terceira teoria sobre a estrela de Belém parece ser a mais aceita entre os teólogos – a de que o brilho nos céus foi um fenômeno puramente milagroso, vindo da Providência de Deus. É o que crê um dos pais da igreja, João Crisóstomo.

Para ele, a estrela que brilhou nos céus de Belém foi um astro excepcional conduzido milagrosamente por Deus para guiar os magos, como havia sido a coluna de Fogo guiando o povo de Israel. Ele diz:

“Como então, digam-me, a estrela poderia apontar para um local tão específico – o espaço de uma manjedoura e um barraco -, sem que tenha descido das alturas e permanecido logo acima da cabeça do menino? E era a isso que aludia o evangelista quando disse “e eis que a estrela, que viram no oriente, ia adiante deles, até que foi parar sobre o lugar onde estava o menino” – em Homilias no Evangelho de Mateus.

“Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”

“Adoração dos magos”, James Tissot

Mas, e agora, diante dessas teorias, o que de fato foi a Estrela de Belém? Será que na primeira aparição, no Oriente, tratou-se de conjunção planetária, e depois, quando avistado na saída de Jerusalém, de um meteoro? Será que em todas as ocasiões tratou-se de astro milagroso?

A verdade é que essa é uma curiosidade que não é importante. O próprio evangelista Mateus não mostra qualquer interesse em dizer quem eram os magos, ou explicar o que era a estrela. O seu alvo é outro: “vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.

O objetivo de Mateus é mostrar como Deus, providencialmente, trouxe estrangeiros para celebrar o nascimento do rei dos judeus e messias esperado, o nosso Senhor Jesus Cristo. O Pai trouxe gente de lugares distantes para presentear seu Filho e para adorá-lo.

O que havia nascido era filho daquele que se diz:

“Aquele que põe em marcha cada estrela do seu exército celestial, e a todas chama pelo nome. Tão grande é o seu poder e tão imensa a sua força, que nenhuma delas deixa de comparecer!” (Is.40.26).

E também:

Ele determina o número de estrelas e chama cada uma pelo nome” (Sl.147.4).

E ainda:

“Fala com o sol, e ele não brilha; ele veda e esconde a luz das estrelas” (Jó 9.7).

Foi esse Deus que ordena às estrelas, e elas brilham, que manda, e elas caminham. Ele utilizou-se da linguagem dos magos para levá-los ao seu filho para adorá-lo.

O mais importante de toda essa história está claro – todos os povos devem adorar o filho de Deus!

Fonte:
Mateus – introdução e comentário, R.V.G. Tasker
Dicionário da Bíblia – John Davis
Dicionário Bíblico Wycliffe

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