Carta aos Filipenses

Os filipenses estavam tristes. Perseguições, a prisão de Paulo, a doença de Epafrodito. Mas Paulo tinha um recado para eles: “alegrem-se no Senhor!”  




A Carta aos Filipenses é o 11° livro do Novo Testamento e a sexta carta de Paulo, segundo a ordem em que os livros estão divididos. Paulo a escreveu da prisão e, por isso, ela figura entre o grupo das Cartas da Prisão escritas pelo apóstolo.

Em meio a grandes perseguições e ameaças, Paulo se mostra para sua amada igreja com uma alegria exultante. E, aquele que foi auxiliado pela igreja, devolve a bondade com muita alegria.

Acompanhe conosco o guia de leitura que preparamos para você!

A história da carta

A Carta aos Filipenses foi escrita pelo apóstolo Paulo, junto de Timóteo (1.1) e foi levada por Epafrodito (2.25,30) aos crentes da igreja na cidade de Filipos (1.1). Ela foi escrita de uma prisão (1.7), provavelmente de Roma (4.22), por volta de 62-63 d.C.

A igreja de Filipos havia enviado Epafrodito até o apóstolo Paulo na prisão em Roma, para levar ao apóstolo uma oferta que o suprisse em suas necessidades (4.18). Quando chegou lá, Epafrodito ficou doente, e essa notícia deixou a igreja preocupada. Por isso, Epafrodito teve pressa em voltar, para alegrá-los novamente.

Assim, antes que Epafrodito fosse, Paulo escreveu a carta para que ele a levasse à igreja. Nela, Paulo agradece os donativos e dá algumas instruções necessárias, com base naquilo que Epafrodito havia informado ao apóstolo sobre o estado da igreja.

1284 km de Roma a Filipos. “Corre Epafrodito!”

Para voltar à sua cidade, Epafrodito percorreu 1284 quilômentros, pela Via Egnácia, uma estrada romana que ligava Roma à Macedônia.

Quanto à autoria da carta, Paulo foi confirmado como autor de forma unânime pelos pais da igreja.

Agora, para saber de qual prisão Paulo a escreveu, no entanto, há alguma dúvida. Mas pelo menos quatro evidências na carta apontam que ele a escreveu da prisão em Roma.

Primeiro, ele cita a presença da guarda pretoriana (1.13) e de crentes do palácio de César (4.22). Além do mais, Paulo demonstra alegria pela propagação do cristianismo e certa liberdade em pregar o evangelho, em 1.12-30. Finalmente, Paulo demonstra expectativa de ser libertado em breve (1.25; 2.23-24). Essas características de sua prisão apresentadas pela carta apontam para aquela prisão ocorrida em Atos 28.16-31, em Roma, por volta de 61 d.C.

O conteúdo da carta

Ruínas de uma antiga catedral cristã, em Filipos

A cidade de Filipos recebeu o nome de Filipe II, pai de Alexandre, o Grande. Na época em que o apóstolo Paulo chegou nela, ela era colônia romana, com grande presença de cidadãos, oficiais e soldados aposentados romanos.

A plantação da igreja em Filipos está relatada em Atos 16. Paulo e Silas seguiram para a Macedônia a partir de uma visão de um homem pedindo auxílio, e se estabeleceram em Filipos entre 49-52 d.C.

A primeira conversão do ministério de Paulo na cidade ocorreu com a prosélita Lídia, na beira de um rio. Na mesma ocasião, Paulo libertou uma mulher possessa com espírito de adivinhação, e por isso, Paulo e Silas foram severamente açoitados e presos. Em seguida, tendo sido milagrosamente libertos da prisão, eles têm a oportunidade de anunciar o evangelho ao carcereiro, que também se entregou a Cristo, junto de sua família.

Perto de 10 anos depois, Paulo, agora preso em Roma, recebeu Epafrodito em sua cela e ouviu notícias da igreja de Filipos. Assim, decidiu enviar a carta com pelo menos três objetivos: primeiramente,  para agradecer a igreja pelas ofertas enviadas a ele (4.10-19); em seguida, para alertar quanto às ameaças de falsos ensinos (3.2,18); finalmente, para alegrar a igreja, entristecida pela prisão do apóstolo e com a doença de Epafrodito.

Paulo demonstra um carinho profundo por sua igreja-filha (4.1). O apóstolo ora pela igreja (1.3-5) e a igreja ora por ele (1.19). A igreja cooperou financeiramente com o apóstolo (4.10-19), e o apóstolo envia seus mais fiéis colaboradores para servi-la, como Timóteo (2.19-24) e Epafrodito (2.25-30). E ele mesmo espera, em breve, retornar à presença da igreja (1.25-26).

Mas a igreja passava por grandes ameaças. Ao que parece, a perseguição pela qual o próprio Paulo havia sido vítima ainda era presente em Filipos, enquanto o seu próprio plantador estava preso. Por isso, Paulo traz uma mensagem de perseverança em meio a luta, e de triunfo em meio ao sofrimento:

“A vocês foi dado o privilégio de, não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele” Fp.1.29

Paulo ainda adverte contra dois grupos propagadores de heresias que espreitavam a igreja. O primeiro desses grupos parece ter forte influência judaica e legalista (3.2); e o segundo grupo, por outro lado, apresentava uma espiritualidade imoral (3.18-19).

Embora fossem grupos bem distintos, ambos prometiam o mesmo: a perfeição espiritual. Um, pelo caminho do legalismo; e o outro pelo caminho místico e carnal. Paulo, então, contrapõe esses grupos apresentando a humildade e a salvação em Jesus Cristo, também através de um conhecido e lindo hino cristão: Fp.1.5-9.

Apesar das tremendas tribulações e do desafio das heresias, o tom da carta não é de desânimo, pelo contrário, é de alegria: “Meus irmãos, alegrem-se no Senhor!” (3.1), diz o apóstolo pelo menos 16 vezes de modos diferentes, nessa curta epístola. Não a toa, essa carta é conhecida como a “carta da alegria”.

Mas não qualquer alegria, nessa carta abunda também as expressões como “Em Cristo” e “Nele”. Paulo estava ensinando que a alegria do cristão não pode ser abalada pelas circunstâncias, pois a alegria do cristão está alicerçada em Cristo Jesus.

Essa, afinal é a carta da alegria no Senhor.

Vamos ler Filipenses?

Resumo por capítulos

Capítulo 1

Paulo saúda e agradece a igreja pela cooperação com seu ministério, além de encorajar a igreja a viver de modo digno do evangelho, lutando diante de perseguição e do sofrimento.

Capítulo 2

Paulo faz um apelo à unidade e à humildade, legando um belíssimo hino cristão sobre esvaziamento de Cristo. Informa o desejo de enviar Timóteo e recomenda Epafrodito, informando que, embora ele tivesse ficado doente, ele já estava recuperado.

Capítulo 3

Paulo faz severas advertências contra dois grupos heréticos assediando a igreja, testemunhando sobre sua falsa autoconfiança enquanto era fariseu, e apresentando sua fé e a maturidade da fé em Cristo Jesus.

Capítulo 4

Paulo faz novo apelo à unidade e à alegria no Senhor. Conclui a carta agradecendo novamente o auxílio financeiro enviado, demonstrando estar satisfeito com o que foi enviado.

Consulta

Novo Dicionário da Bíblia – John Davis
Filipenses – introdução e comentário, de Ralph P. Martin
Manual Bíblico Unger, de Merril Unger

Infocard

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