Quem foram os magos do Oriente?

Eles vieram para o nascimento de Jesus e acabaram causando uma grande confusão na corte de Herodes. Quem, afinal, foram esses misteriosos Magos do Oriente?

Os magos do Oriente são personagens da história do nascimento de Jesus, mencionados apenas pelo Evangelho de Mateus, e sua história, narrada em Mt.2.1-12, acarreta uma grande tragédia para Belém. No entanto, no fim de uma grande jornada em busca do “rei dos judeus”, os magos do Oriente conseguem encontrar o menino para presenteá-lo.

Mas, quem são, de onde vieram e o que faziam os magos do Oriente? Descubra agora mesmo!

A história dos magos

Como já dito, a história dos magos está registrada exclusivamente no Evangelho de Mateus, e começa com a comitiva vinda do Oriente chegando à Jerusalém à procura do “rei dos judeus”

“Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” – Mt.2.2 nvi

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Os magos seguiam uma misteriosa estrela (sobre a qual trataremos em uma outra postagem) que anunciava o nascimento do rei dos judeus. No entanto, ao que tudo indica, em determinado momento, os magos do Oriente acabaram seguindo o próprio entendimento, e foram buscar o “rei dos judeus” no lugar mais óbvio, na cidade do rei Herodes, em Jerusalém.

A notícia trouxe uma grande confusão para Jerusalém, pois ninguém sabia de nascimento real nenhum!

Os magos, então, são recebidos por Herodes, o que demonstra que eram pessoas de grande importância. Provavelmente, eram seguidos por um cortejo de servos.

Devido ao alarme dos magos, Herodes consultou seus sacerdotes sobre esse nascimento, que logo verificaram que o messias esperado, rei dos judeus, não nasceria em Jerusalém, mas em Belém, conforme profecia de Miquéias 5.2.

O rei, bastante preocupado com esse concorrente ao seu trono, fingiu-se interessado no nascimento do Messias, e enviou os magos a Belém, pedindo-lhe que o mantivessem informado sobre o menino.

Assim, os magos partiram para Belém, agora novamente guiados pela estrela, seguindo numa viagem de mais 10 quilômetros.

“Então, quer dizer, que os presépios estão errados???”

Ainda misteriosamente guiados pela estrela, chegaram a casa em que estavam Maria e José.

Perceba que a família já estava alojada em uma casa, e não na gruta, em que nasceu, conforme mostram os presépios tradicionais. Certamente já havia passado algum tempo desde o nascimento de Jesus.

Enfim, os magos deram os presentes que tinham vindo oferecer ao menino.

Em seguida, foram avisados por sonho que não deveriam voltar a Jerusalém. Por isso, fugiram de Herodes, retornando por outro caminho.

E, como bem sabemos, Herodes não se deu por satisfeito. Quando percebeu que os magos não voltariam, fez algo terrivelmente cruel (Mt.2.16-18).

Quem eram e de onde vieram os magos do Oriente

Já sabemos a história deles, mas agora queremos saber quem são, e de onde vieram.

Talvez tenha sido intencional que o evangelista mantivesse os magos no anonimato, mas ele deixou algumas pistas.

“A gente devia ter seguido o waze…”

A palavra grega que o evangelista usou para descrevê-los foi ‘μάγοι’. Na maneira como essa palavra foi colocada, essa é a única menção no Novo Testamento.

Mas a raiz da palavra é utilizada, ainda, de outras maneiras, em textos de Atos 8 e 13, referindo ao feiticeiro Simão, e ao falso profeta Barjesus, respectivamente.

Apesar disso, esses ‘μάγοι’ eram diferentes dos feiticeiros de Atos.

A palavra possui uma origem desconhecida. No entanto, o historiador do século V a.C, Heródoto, refere-se a esses ‘μάγοι’ como membros de uma tribo dos medos formada por sacerdotes interessados no estudo das estrelas e no modo como elas influenciavam os acontecimentos humanos.

Ele diz:

“As tribos dos medos são as seguintes: os busos, os paretacenos, os estrúcatos, os arizantos, os búdios e os magos” – História I,101.

“Astiages (…) para decidir a sorte de Ciros, mandou chamar os mesmos magos que, como dissemos, tinham interpretado seu sonho; quando eles chegaram Astiages lhes perguntou qual havia sido a sua interpretação da visão. Os magos lhe deram a mesma resposta anterior: disseram que o menino teria fatalmente reinado” – História I, 120

Se Mateus se referiu a esses magos conforme Heródoto, então, eles seriam sacerdotes persas, interessados em astronomia e astrologia. Esses sacerdotes eram homens devotos, que criam em um único deus, faziam orações, sacrificavam ao seu deus e praticavam o bem.

“Adoração dos magos”, por Bartolomé Esteban Murilo, 1617-1682

Mas como eles teriam conhecimento sobre o nascimento do Messias? Bom, a teoria diz que esses sacerdotes teriam tido acesso ao conhecimento do nascimento do “rei dos judeus” por intermédio dos judeus da diáspora, que haviam sido dispersos para a região, no exílio.

Algumas representações desses homens dos primeiros séculos concordam com a teoria, pois são costumeiramente retratados com vestes persas.

No entanto, uma segunda teoria sobre a origem dos magos do Oriente também é bastante aceita.

A teoria remete aos magos da Babilônia, os quais o profeta Daniel foi colocado como chefe, conforme Dn 5.11:

“Existe um homem em teu reino que possui o espírito dos santos deuses. Na época do teu predecessor verificou-se que ele tinha percepção, inteligência e sabedoria como a dos deuses. O rei Nabucodonosor, teu predecessor, sim, teu predecessor, o rei, o nomeou chefe dos magos, dos encantadores, dos astrólogos e dos adivinhos” – Dn.5.11 nvi

Deste modo, segundo essa teoria, os magos na verdade teriam vindo da Babilônia, vindo de uma linhagem de magos que interpretavam as profecias de Daniel.

O pensador cristão Orígenes também acreditava que os magos teriam vindo da Babilônia. Ele também cria que esses magos tiveram acesso à profecia de Balaão, de Nm.24.17, e por isso seguiram a estrela:

“Eu o vejo, mas não agora; eu o avisto, mas não de perto. Uma estrela surgirá de Jacó; um cetro se levantará de Israel. Ele esmagará as frontes de Moabe e o crânio de todos os descendentes de Sete” – Nm.24.17 nvi

Sendo assim, as duas teorias mais plausíveis sobre a origem dos magos, com base no texto de Mateus, diz que eles seriam sacerdotes vindo da Pérsia, ou magos vindos da Babilônia.

A tradição dos três reis magos

“Os magos guiados pela estrela” Gustave Doré

Há muita tradição e teorias lendárias em torno das figuras dos magos do Oriente.

O número de três magos, por exemplo, não está especificado na Bíblia, mas chegou-se a esse número, provavelmente, por causa do número de presentes que os magos deram ao menino.

Chamá-los de reis também vem da tradição, remetendo a alguns textos bíblicos, como Sl.72.10 e Is.60.6 que dizem:

“Que os reis de Társis e das regiões litorâneas lhe tragam tributo; os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes” – Sl.72.10 nvi

“Então o verás e ficarás radiante; o seu coração pulsará forte e se encherá de alegria, porque a riqueza dos mares lhe será trazida, e a você virão as riquezas das nações.
Manadas de camelos cobrirão a sua terra, camelos novos de Midiã e de Efá. Virão todos os de Sabá carregando ouro e incenso e proclamando o louvor do Senhor” – Is.60.5-6 nvi

Além de dar a quantidade de magos e de chamá-los de reis, a tradição também dá os nomes e aponta diversas origens para os magos do Oriente.

O evangelho apócrifo de um falso Tomé, por exemplo, também chamado de Evangelho Armênio da Infância de Jesus, datado do século II, menciona os nomes e as origens diferentes de cada rei mago: Melquior seria Persa, Baltasar seria da Índia e Gaspar um Árabe.

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Além do mais, nesse apócrifo há uma curiosa revelação sobre a origem do conhecimento desses magos, que teriam vindo da Pérsia. Lá, diz-se que Deus havia dado uma carta a Adão, que passou a Sete, e foi passando de geração em geração, até chegar à Melquisedeque, e à Pérsia, no tempo do rei Ciro. Desde então, essa carta foi colocada em um lugar especial, e assim chegou até os magos do Oriente, de onde tiveram a informação sobre o rei de Israel.

Já o monge beneditino Beda, do século VIII, considerado o pai da história da Inglaterra, identifica Melquior como vindo de Ur dos Caldeus e com a idade  70 anos; Gaspar seria um jovem de 20 anos da região montanhosa do Mar Cáspio e Baltasar seria um negro, de 40 anos, do Golfo Pérsico. Esses três “reis representariam as três raças existentes dos povos do mundo.

João Crisóstomo, o ministro cristão do quarto século, relata, ainda, em sua Patrologia Grega, que os magos teriam sido batizados pelo apóstolo Tomé e que teriam trabalhado pela fé ao longo de suas vidas.

Os presentes

“Os três magos”, Itália, 526 d.C

Os presentes que os magos do Oriente trouxeram ao menino Jesus, quando o encontraram, foi o ouro, incenso e mirra.

Esses eram produtos próprio da região da Arábia, e por isso alguns acreditam que, na verdade, os magos teriam vindo de lá.

Além do mais, os presentes são todos revestidos de muito significado. Muitos apontam o ouro como representando a realeza de Jesus.

Já o incenso era um perfume ritual, feito de plantas aromáticas, usadas por sacerdotes. Nesse caso, revelaria o ministério sacerdotal de Jesus. Ou mesmo, apontaria para a divindade de Jesus.

E a mirra, finalmente, era uma especiaria usada tanto para unção como para embalsamar cadáveres, apontando, assim, para o sofrimento e morte de Jesus.

Visite o túmulo dos magos do Oriente

No final do século III, Helena, mãe do Imperador Constantino, diz ter encontrado o túmulo dos magos, e procurou preservar as relíquias, levando-as para Constantinopla.

Durante o percurso da história, as relíquias foram levas  a Milão e, finalmente, no século XII, fizeram residência, até os dias de hoje, em Colônia, na Alemanha, dando origem à atual Catedral de Colônia.

“Santuário dos três reis”, onde supostamente estariam os restos mortais dos magos do Oriente, na Catedral de Colônia, Alemanha

Fonte:

Dicionário Enciclopédia da Bíblia, Ed. Vozes
Novo Comentário do Novo Testamento – Mateus, vol.01 – Hendriksen, Cultura Cristã
Dicionário Internacional de Teologia, Vida Nova

Infocard

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