Carta aos romanos

Guia de Leitura – Romanos



A Carta de Paulo aos Romanos é o sexto livro do Novo Testamento e a primeira e mais longa carta do apóstolo Paulo. A carta é considerada um grande tratado teológico e um dos livros mais influentes da Bíblia.

O pregador João Crisóstomo, por exemplo, pedia que a carta fosse lida a ele toda semana. A carta foi também um divisor de águas nas vidas de Agostinho, Martinho Lutero e John Wesley.

Vamos conhecer um pouco mais sobre a Carta aos Romanos neste guia de leitura!

A história da carta

Paulo escrevendo as cartas
Paulo escrevendo suas cartas“, Valentin de Boulogne, 1618-20

A Carta aos Romanos foi ditada pelo apóstolo Paulo (1.1) ao escriba Tércio (16.22), e foi levada por Febe (16.1) de Cencréia à igreja de Roma (1.7).

Paulo escreveu a carta em sua estadia de três meses na região da Grécia (At.20.2,3) provavelmente na cidade de Corinto, (2Co.13.1,10), hospedado na casa de Gaio (16.23). A primeira evidência disso é que Febe a levou de Cencréia, que era o porto de Corinto. Outra prova é que o hóspede Gaio pode ser aquele batizado por Paulo em Corinto (1Co.1.14).

A carta foi escrita cerca de 57 d.C, no fim da terceira viagem missionária de Paulo. O apóstolo estava prestes a ir a Jerusalém entregar uma oferta à igreja, colhida entre os crentes gentios. Ele havia completado a evangelização no Mediterrâneo Oriental (15.23-25) e desejava seguir adiante à Espanha.

A igreja de Roma provavelmente foi formada pelos judeus convertidos pela pregação de Pedro em Pentecoste (At 2.7-11) e se caracterizava por uma igreja nos lares (Rm.16.5). Paulo, no entanto, ainda não conhecia a igreja pessoalmente (Rm.1.10).

No ano 49 d.C, já havia uma presença ativa da igreja cristã na capital. O historiador romano Suetônio, aos escrever sobre a vida dos césares, deixou registrado: “Como os judeus, por instigação de Chrestus, estivessem constantemente provocando distúrbios, ele [Claudio] os expulsou de Roma”. Nesta inscrição, Suteônio nos ajuda a ver a força dos judeus convertidos ao cristianismo na capital. Inclusive, Priscila e Áquila foram vítimas deste decreto de Cláudio e tiveram também de deixar a capital (At.18.2). Mas, 10 anos depois, o casal está de volta à sua terra e à sua igreja (Rm.16.3).

Assim, por volta de 57 d.C, Paulo esperava terminar sua terceira viagem missionária levando as ofertas à igreja de Jerusalém. Hospedado na casa de Gaio, em Corinto, escreveu a carta aos cristãos de Roma, com a ajuda de Tércio. Febe, cristã da igreja de Cencréia, foi encarregada de levar a carta aos seus destinatários.

O conteúdo da carta

Há pelo menos duas circunstâncias que levaram a carta a ser escrita.

A primeira delas é o plano do apóstolo em seguir viagem missionária à região da Espanha. Para isso, ele desejava visitar e conhecer a igreja de Roma, para ter o seu apoio e ser enviado por ela. Por isso, ele se adianta escrevendo uma carta, preparando sua chegada. É ele mesmo quem diz:

Mas, agora, não tendo já campo de atividade nestas regiões e desejando há muito visitar-vos, penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha, pois espero que, de passagem, estarei convosco e que para lá seja por vós encaminhado, depois de haver primeiro desfrutado um pouco a vossa companhia” Rm.15.24.

A segunda circunstância é uma provável desavença entre os cristãos judeus e gentios.

Como mostramos acima, a igreja de Roma foi iniciada pelos judeus convertidos em Pentecoste . Mas, em seguida, este grupo de cristãos foi expulso junto dos demais judeus, indiscriminadamente, pelo Imperdador Cláudio. Deste modo, crê-se que a igreja de Roma se expandiu entre os gentios, e eles se tornaram a maioria.

Quando os cristãos judeus retornaram à Roma, criou-se um ambiente de conflito entre ambos os grupos. Veja o que está escrito em Rm.11.13-18:

“Porque convosco falo, gentios, (…) se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti.” 

Assim, um dos grandes propósitos da carta de Paulo aos Romanos é apresentar seu evangelho que é poder de Deus para salvação (Rm.1.16) e assim ser enviado pela igreja de Roma para anunciá-lo na Espanha. E o outro grande propósito é mostrar que tanto judeus quanto gentios estão debaixo do pecado (Rm.3.9), mas que a justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo é revelada a todo o que crê (Rm.3.21-22).

Assim, Paulo apresenta seu evangelho que pretende levar aos confins da terra; evangelho apresentado como a justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para judeus, gentios e bárbaros; evangelho capaz de trazer a paz e unir a todos em um único corpo.

Resumo por capítulos

Romanos

Romanos 1

Paulo se apresenta como apóstolo e saúda a igreja. Inicia a exposição do seu evangelho mostrando a ira de Deus sobre a injustiça de todos os homens, mesmo àqueles que não foi revelada a lei de Deus.

Romanos 2

Sendo que todos estão debaixo do pecado, quem julga os outros é ainda mais condenável e, por isso mesmo, a revelação da Lei de Deus aos judeus os torna ainda mais responsáveis, pois não cumprem a lei.

Romanos 3

Deste modo, ninguém é achado justo diante de Deus, nem judeu, nem gentio. Mas agora foi manifestada uma justiça mediante a fé em Jesus Cristo, e não pela obediência à Lei.

Romanos 4

Paulo exemplifica como Abraão foi justificado pela fé e não por obras, demonstrando assim que a justificação pela fé não era algo novo, mas um ensino anterior à Lei.

Romanos 5

As consequências da justificação na vida do que crê é a paz com Deus e a segurança da salvação. Paulo mostra como a morte pode reinar pelo ato de desobediência de um único homem, Adão; e como a graça transbordou pelo ato de um único homem, Jesus.

Romanos 6

Agora, Paulo explica que a graça não anula a obediência. Ele faz isso mostrando que fomos unidos a Cristo e Ele se tornou o nosso cabeça. Nos tornamos livres da escravidão do pecado, mas nos tornamos escravos da justiça.

Romanos 7

Paulo ilustra a nova realidade do crente mostrando como uma mulher fica desobrigada das leis do casamento quando o seu marido morre.  Agora, nós estamos livres do contrato com o pecado. A lei, portanto, atua em nós para nos condenar e para nos fazer pecar, mas a graça nos liberta desta escravidão.

Romanos 8

Assim, o crente já não é condenado pela lei do pecado, mas agora vive pela vida no Espírito, em esperança paciente pela glória que ainda será revelada na vinda de Cristo. Nisso, somos seguros e nada pode nos separar do amor de Jesus.

Romanos 9

Paulo, agora, apresenta a soberania de Deus na escolha do remanescente fiel de Israel, com vários casos do Antigo Testamento. Deste modo, ele defende que a rejeição de Israel não significa que Deus falhou em suas promessas.

Romanos 10

Paulo então mostra que a esperança para os judeus é invocar o nome do Senhor, e não seu esforço pessoal em cumprir a lei.

Romanos 11

Paulo demonstra que, com a mesma severidade que os ramos de Israel foram cortados, aqueles gentios que permanecerem na incredulidade também podem ser cortados. Mas, além disso, Paulo demonstra que, na plenitude dos gentios, todo o Israel será salvo. E diante dessa verdade, Paulo conclui com um hino de adoração.

Romanos 12

Paulo agora passa a aplicar de forma prática as verdades ensinadas, encorajando a consagração e o amor fraternal entre todos.

Romanos 13

Paulo fala ainda da submissão às autoridades e sobre a vigilância diante da expectativa dos últimos dias.

Romanos 14

Paulo agora exorta àqueles que forem fortes na fé a não destruir ou julgar os fracos na fé, e conduz à unidade da igreja.

Romanos 15

Paulo continua falando sobre o espírito de unidade na igreja. E então, começa a apresentar seu projeto missionário e seus planos de ir à Espanha.

Romanos 16

Paulo conclui saudando uma longa lista de conhecidos e faz algumas exortações finais.

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Fonte:

Descobrindo o Novo Testamento, por Walter Elwell e Robert W. Yarbrough
Manual Bíblico Unger, por Merrill Frederick Unger
Novo Dicionário de Teologia Bíblica, por Desmond Alexander e Brian Rosner
Introdução ao Novo Testamento, por D.A. Carson

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