A descoberta do templo de Ártemis

Como o apóstolo Paulo levou um arqueólogo inglês numa aventura nas ruínas de Éfeso

Philips Galle, Temple of Artemis, 1572
Philips Galle, Temple of Artemis, 1572

O templo de Ártemis é considerado uma das 7 maravilhas do mundo antigo. Ártemis, o nome grego da deusa Diana, foi cultuada com muita pompa na cidade de Éfeso, cidade Lídia na costa ocidental da Ásia menor.

Mapa do reino de Lídia, região da cidade de Éfeso
Mapa do reino de Lídia, região da cidade de Éfeso

O Artemísio, como era chamado o templo da deusa, foi uma das construções mais deslumbrantes da antiguidade. Tinha mais de 100 metros de comprimento, mais de 40 de largura e cerca de 100 colunas de mármore de mais de 17 metros de altura.

Ele foi construído pelo arquiteto cretense Quersifrão, no século VI a.C, e foi destruído em um incêndio, mas reconstruído novamente por Alexandre, o Grande. Enfim, foi definitivamente destruído pelos Godos, no segundo século depois de Cristo, e desapareceu!



Paulo e o “Sindicato dos Ourives”

Paulo pregando em Éfeso e a queima de livros mágicos pelos convertidos, um dos episódios de Atos 19. 1649, por Eustache Le Sueur
Paulo pregando em Éfeso e a queima de livros mágicos pelos convertidos, um dos episódios de Atos 19.
1649, por Eustache Le Sueur

A presença do Artemísio na cidade de Éfeso era motivo de orgulho para seus moradores. Até porque, o culto à deusa movimentava consideravelmente a economia local.

A importância do templo pode ser percebida na passagem do apóstolo Paulo pela cidade. Na metade do primeiro século, ele residiu em Éfeso por 2 anos, ensinando para moradores de toda a Ásia, na Escola de Tirano (At. 19.8-20).

O impacto da mensagem do apóstolo foi tanto, que fizeram cair as vendas dos objetos sagrados! Por isso, Demétrio, um ourives que fazia miniaturas do Artemísio em prata, mobilizou o “sindicato dos ourives” e alertou:

Não somente há o perigo de a nossa profissão cair em descrédito, como também o de o próprio templo da grande deusa, Diana, ser estimado em nada, e ser mesmo destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo adoram” (At.19.27).

Então, os ourives saíram alvoroçando as ruas, gritando:

Grande é a Diana dos efésios!” (At.19.28).

Capturaram os macedônios Gaio e Aristarco, companheiros de Paulo, e os levaram ao teatro, para serem julgados diante de uma multidão.

Quem salvou a pele dos missionários foi o escrivão, que acalmou a turba, dizendo:

Quem, porventura, não sabe que a cidade de Éfeso é a guardiã do templo da grande Diana e da imagem que caiu de Júpiter? Ora, não podendo isto ser contraditado, convém que vos mantenhais calmos e nada façais precipitadamente” (At.19.35-36).

A procura pelo Templo de Diana

J.T.Wood, o arqueólogo descobridor do Templo de Ártemis
J.T.Wood, o arqueólogo descobridor do Templo de Ártemis

Esse relato de Atos não apenas inspira cristãos no mundo todo, mas também foi um dos grandes influenciadores para que o Museu Britânico enviasse o arqueólogo John Turtle Wood para encontrar, nas ruínas da cidade de Éfeso, na foz do rio Cayster, a 5 quilômetros do Mar Egeu, o famoso templo de Ártemis, até então desaparecido. O texto de Atos era uma evidência de que o templo realmente havia existido.

Em 2 de maio de 1863, Wood iniciou suas buscas. Porém, por mais de 5 anos de escavação, ele não encontrou nenhum vestígio das mais de 100 colunas de mármore de Diana.

Mas o teatro da cidade, onde Gaio e Aristarco foram levados, já havia sido encontrado. Era um teatro na encosta do monte Pion, com mais de 24.000 acomodações!

O mapa do tesouro

As ruínas do Teatro de Éfeso
As ruínas do Teatro de Éfeso

Neste teatro, o arqueólogo encontrou uma inscrição que foi, para ele, como um mapa do tesouro. Esta inscrição narrava uma procissão anual para a deusa. O caminho da procissão entrava pela Porta Magnésia, ia do Templo ao Teatro e saía pela Porta Corésia.

Através desta inscrição, Wood encontrou as Portas Magnésia e Corésia até que, finalmente, em 31 de dezembro de 1869, a primeira peça de mármore do templo foi encontrada.

A partir daí, começaram a escavar por mais 5 anos e então encontraram o que havia restado do formidável templo, soterrado a mais de 5 metros de profundidade.

As ruínas do Templo de Ártemis
As ruínas do Templo de Ártemis

As escavações perduraram por muitos anos e muitas peças encontradas neste templo estão expostas hoje no Museu Britânico, na Galeria Efésia.

David Hogarth foi um arqueólogo que escavou as ruínas entre 1904 e 1905. Num dos pedestais encontrados por Wood, David percebeu que, quando batia, o som causado era oco. Então, resolveu abrir o lugar e, por isso, encontrou as peças mais preciosas das ruínas, uma coleção de jóias, obras de arte entre outros tesouros, que haviam sido colocados lá como oferendas na época da dedicação do templo.

A partir de 1908, as escavações foram continuadas pelo Instituto Austríaco de Arqueologia.

E foi assim que, novamente, uma história bíblica motivou uma descoberta arqueológica!

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